12.

Bem no centro de uma região bonita
– De rios, belas florestas e montanhas –
Regiam um soberano e seus cavaleiros.

Além dos muros pétreos do castelo,
A população mourejava aflita.
Uma mortal maldição – de onde vinda? –

Dizimava os mais fracos e os mais velhos.
Lançada por feiticeiros distantes
– Falava o monarca a seus cavaleiros –

Com nada conto, contra tal encanto!
Por que haveria de ser diferente?
Exército é férreo; não fraco e doente!

– Uma voz ressoa dentro do castelo –
Majestade, fraco, doente e velho
Há na família de qualquer soldado!

Que seja! Mas não volto minhas forças
Contra essa magia; da forma que veio,
Irá embora. Tudo isso é da vida!

(…)

A razão está comigo. Percebem
Que tudo já passou? Não se comovem?
Lá fora não gritam mais! Que celebrem!

– Dentro do castelo uma voz ressoa –
Não lhes sobra tempo para tal loa,
Majestade. Tomaram-lhos mortos!

[Ari Donato | Salvador / 2021]

Reprodução fotográfica de Operários, de Tarsila do Amaral, óleo sobre tela, 150 x 230 cm, 1933.

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