11.

Solitário juazeiro!
Esverdeado farol em desértica vereda.

Sacode-se ao silvo do vento
Como a saudar – com tristeza –
O mar de copas há muito dali varrido
Pela vaga avassaladora do tempo.

Ainda que ermo sobreviva
Em meio à dureza da caatinga,
Uma nesga de alegria
Escorre-lhe pelo ressequido caule,
Ao ouvir a algazarra de suas folhas
Sob as carícias macias da tarde.

E toda sua alma de vegetal baila
– Porque é um ser, tem vida –
Transmudada em ramos bizarros,
Ondeados no voo do joão-de-barro

[Ari Donato | Salvador / 2021]

Foto Elice Donato | Itapicuru – Guanambi | Fevereiro 2021.

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