8.

Acordo em meio de um sono pesado.
Sem um magro tostão – sem nada ao meu lado.
Seguindo por um longo caminho onde se movem
– como se no Sorbone, na tela do cinema –
Cenas de um sonho com um só ator – em monólogo.
– Quero deixar a sala, não vejo o lanterninha!
Faltou energia e o projetor falha.
Um demorado “Oh!” pelo salão se espalha.
Vejo-me isolado, naquela retangular escuridão.
Que drama! Sem saber: sonhava ou vivia.

Desfaz-se a minha cama e um barco me conduz
Pelas águas irrequietas de um grande rio,
Até despencar do alto de uma cachoeira
E mergulhar nesta quadra vazia da vida.

Saltei do sono para o infindo buraco
Em que ora vivo – de prolongada letargia –
E aqui estou, a construir poesia que muitos –
Certamente quase todos – jamais vão ler um dia.

[Ari Donato | Salvador / 2021]

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