5.

No galho mais tenro do imbuzeiro
Brilha, ao sol, o doce fruto – já maduro.
Ou será de outra árvore – tantas eu vejo –
E que aos meus sentidos inflama!
– Quién sabe?
Sabe-se que fruto assim não se derrama,
Não se colhe ao chão.
Precisa-se da maciez da seda,
Da paciência da sua lagarta.

Cerram-me os olhos – como a um fim de tarde.
Em lamentos – ante a fragilidade –
As mãos fogem ao desejo da alma!
Desalcançam a copa da árvore,
Distanciam-se da ramagem – vítimas da senilidade.
– No tienes fuerzas y no puedes rehacerlas!
Quedo-me então a admirar a lua – nua –
Na amplidão do céu.
Polvilhado de estrelas

[Ari Donato | Salvador / 2021]

Foto Ari Donato | Guanambi – Bahia | Outubro de 2017.

Sem querer…

Sem querer despedir-me de vocês,
Despeço-me da despedida…
Ó vida
Pálida! Qual o desmatar!

Sem querer separar outra vez,
Separo-me da separação…
Ó coração
Doído! Qual o infartar!

Sem querer sonho atormentante,
Afasto sonhar o que não vi…
Oh! Dormir
A quietude do lajedo!

Suspiro o aroma embalsamante
De serenos dias beber.
Oh! Viver
O presente é que almejo!

[Ari Donato | Salvador / 2014]